Brasil dá adeus à Copa do Mundo: derrota para a Noruega escancara crise de identidade da Seleção
Brasil dá adeus à Copa do Mundo: derrota para a Noruega escancara crise de identidade da Seleção
O sonho do hexacampeonato chegou ao fim. Na noite de ontem, a Seleção Brasileira se despediu da Copa do Mundo ao ser derrotada por 2 a 1 pela Noruega, resultado que manteve um velho fantasma do futebol brasileiro: a dificuldade histórica de superar os noruegueses em Mundiais. Com a eliminação nas oitavas de final, o Brasil encerra mais uma campanha marcada por frustrações, dúvidas e, como já virou tradição após grandes derrotas, pela busca imediata por culpados.
No Brasil, perder faz parte do esporte, mas aceitar uma derrota nunca é simples. E quando ela acontece em uma Copa do Mundo, a chamada "caça às bruxas" começa antes mesmo do apito final. Técnicos, jogadores e dirigentes passam a ser alvo de críticas, muitas vezes sem uma análise mais profunda do que realmente aconteceu dentro de campo.
O elenco brasileiro era formado por atletas que atuam nos maiores clubes do mundo. No papel, havia qualidade suficiente para sonhar alto. Porém, dentro das quatro linhas, o que se viu foi uma equipe sem identidade, sem a personalidade que sempre caracterizou o futebol brasileiro.
Ao longo dos últimos anos, o Brasil parece ter insistido em copiar o modelo europeu de jogar. A busca por intensidade, disciplina tática e organização é importante no futebol moderno, mas isso não significa abandonar aquilo que sempre foi a maior marca da Seleção: a criatividade, a alegria, a ginga e a capacidade de decidir partidas com talento individual.
Na partida decisiva, ficou evidente um time que lutou com as armas que possuía, mas que também cometeu erros decisivos. Um atacante, em um gesto de excessiva humildade, abriu mão da responsabilidade de cobrar um pênalti e transferiu essa missão para um volante, justamente em um dos momentos mais importantes do Mundial.
Do outro lado, chamou a atenção a postura do treinador, que optou por deixar no banco um dos jogadores mais técnicos, experientes e decisivos do elenco. Neymar, mesmo sendo um atleta que frequentemente divide opiniões por seu temperamento, mostrou sua qualidade quando teve a oportunidade. Na cobrança de pênalti que executou, simplesmente deslocou o goleiro norueguês com categoria, deixando-o imóvel, sem qualquer reação, como uma verdadeira estátua.
Ainda assim, muitos preferiram responsabilizar justamente um jogador que sequer teve uma sequência de partidas como titular durante a Copa. Para este jornalista, a eliminação não pode ser atribuída a quem pouco esteve em campo.
A derrota para a Noruega foi consequência de decisões equivocadas. Da covardia — ou do excesso de humildade — de um atacante em um momento decisivo. Da falta de sensibilidade de um treinador que desperdiçou a oportunidade de utilizar plenamente um atleta experiente, tentando provar que a Seleção possuía uma nova identidade que, na prática, jamais conseguiu demonstrar.
Que esta eliminação sirva de aprendizado.
O futebol evoluiu e, naturalmente, o Brasil precisa acompanhar essa evolução. Adaptar-se ao futebol moderno é uma necessidade. Mas isso não significa abandonar nossa essência. O futebol brasileiro sempre encantou o mundo pela irreverência, pela técnica refinada, pelos dribles, pelas jogadas improvisadas, pela alegria de jogar. Foi assim que conquistamos cinco Copas do Mundo e inspiramos gerações de atletas ao redor do planeta.
Também é hora de uma reflexão mais profunda sobre a formação de jogadores no país. Espera-se que dirigentes dos clubes brasileiros deixem de aceitar passivamente as decisões de uma CBF constantemente questionada e passem a investir com mais convicção em observadores técnicos capazes de descobrir e lapidar verdadeiras joias espalhadas pelos quatro cantos do Brasil.
O futebol brasileiro não pode continuar tratando atletas apenas como ativos financeiros ou futuras vendas milionárias. Ainda existem inúmeros talentos que sequer conseguem espaço nas categorias de base porque não despertam interesse comercial imediato. Muitos acabam ficando pelo caminho, enquanto o país perde a oportunidade de revelar novos craques.
Talvez esteja aí a maior lição desta Copa: o Brasil não precisa copiar ninguém. Precisa apenas voltar a acreditar naquilo que sempre soube fazer melhor. Quando joga com coragem, criatividade e alegria, o futebol brasileiro continua sendo um dos mais belos espetáculos do mundo.
Matéria/Edição: Alan Costa (Jornalista)
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